14-07-2017

Odebrecht Óleo e Gás busca selo 'Pró-Ética' em 2018

Rodrigo Polito

Valor Econômico - Incluída na lista da Petrobras de empresas impedidas de serem contratadas pela estatal, a Odebrecht Óleo e Gás (OOG), braço do grupo Odebrecht de afretamento e operação de sondas e plataformas, espera obter em 2018 o selo "Pró-Ética". A certificação, do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU) incentiva empresas a adotar políticas e ações que contribuem para um ambiente de negócios íntegro e reconhece aquelas que preencheram esses requisitos.

"Aplicamos [para o "Pró-Ética"] este ano, muito mais com a expectativa de obter o retorno deles [do Ministério da Transparência] sobre o que precisamos evoluir. Estou bastante confiante de que ano que vem teremos todos os elementos técnicos necessários para que a gente consiga se certificar", disse o diretor de Conformidade da OOG, Nir Lander.

O "Pró-Ética" é uma das metas do seu atual sistema de conformidade, que começou a ser remodelado no último trimestre de 2016, justamente quando foi criada a diretoria de conformidade, com a contratação de Lander, que se reporta diretamente ao conselho de administração da OOG.

A dedicação especial da empresa à área de compliance tem dois grandes motivos. O primeiro é criar um diferencial em concorrências de óleo e gás. O segundo é o esforço da OOG para demonstrar ao mercado em razão dos impactos da investigação da "LavaJato" na sua controladora Odebrecht.

A Petrobras ainda mantém 20 grupos econômicos nas investigações da "Lava-Jato" impedidos de participar de suas licitações. Dos 27 grupos incluídos no bloqueio cautelar, entre 2014 e 2015, sete já foram retirados da lista pela estatal. Os casos mais recentes são os da Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia.

Embora a OOG não esteja envolvida na "Lava-Jato", ela ainda consta na lista por causa do seu grupo controlador. A saída da "lista negra" é fundamental para sua saúde financeira, já que a estatal é a principal contratante do mercado de óleo e gás do país. Já apresentou o sistema de conformidade para a Petrobras em duas oportunidades.

A empresa, ao mesmo tempo, também passa por uma recuperação extra-judicial, o qual discute dívidas da ordem de US$ 5 bilhões com seus credores.

Para pôr em prática a nova estratégia de conformidade, a OOG dobrou o orçamento da área, para R$ 4 milhões anuais, e formou uma equipe multidisciplinar para tratar do assunto. "A maioria das empresas que iniciam o compliance deixa isso dentro do [departamento] jurídico. Mas a parte legal é somente uma perna [do compliance]. Por isso, temos economistas, pessoas de comunicação, contabilidade, engenharia, administração. Temos um universo multidisciplinar para conseguir o [resultado] ótimo no menor espaço de tempo possível", disse Lander.

Dentro do objetivo de acelerar a implantação de medidas de compliance, a OOG foi a primeira empresa do grupo construtor a criar um canal de denúncia, no fim de março. O sistema é operado por uma sistema terceirizada, especializada e independente.

Além da política de compliance, outro ponto que se mostra favorável à OOG no momento é o aguardado início de produção no campo gigante de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, por meio de um teste de longa duração (TLD) a ser feito por uma plataforma do tipo "FPSO" afretada por uma joint-venture (50%/50%), formada pela OOG com a norueguesa Teekay.

O primeiro óleo de Libra estava previsto para este mês, porém, a Petrobras, operadora do campo, informou que o processo foi postergado, ainda sem data, devido questões técnicas em um equipamento. A estatal tem 40% do consórcio, junto com a Shell (20%), a francesa Total (20%) e as chinesas CNPC (10%) e CNOOC (10%).

Fonte: Valor Econômico